segunda-feira, setembro 11, 2006

Voto obrigatório - coisa de brasileiro mesmo

E mais quatro anos de crimes, impunidade, roubalheira e corrupção se passam neste país tropical. A nós, pobres contribuintes, pobre eleitores, pobres pobres, só resta sorrir um sorriso amarelo, quase banguelo, um sorriso de quem está, ao mesmo tempo, impertigado e acostumado com tanta gente ruim e incapaz nas rédeas do poder público.
É um sorriso de desânimo animado, de quem é "brasileiro e não desiste nunca". Aliás, acho que essa campanha foi criada para que nós não desistíssemos que continuar contribuindo com os inúmeros impostos para alimentar ainda mais as contas secretas dos nossos deputados, senadores, presidentes, governantes, enfim, de toda a cambada que está lá em Brasilia fazendo o melhor - por eles mesmos, claro.
Temos saída? Se, por um lado, esta eterna contribuição não trará nada de novo e de bom para nós brasileiros, por outro, deixar de contribuir pode trazer ainda mais dor de cabeça, haja visto que o único sistema público que realmente funciona é a receita federal, a malha fina.
Então, pensa-se em fugir para outro país. Você faz suas malas, gasta toda a sua economia para morar num lugarzinho miserável, trabalhar como um cachorro e ter uma vida limitada. Comer é ruim, tomar banho é pior ainda, principalmente se você resolver morar na Europa. Alguns conseguem, mas nem todos.
Aí, você volta para o Brasil com o rabinho entre as pernas, consegue o mesmo empreguinho meia-boca que você fazia lá fora (quando consegue...), porém ganhando 1/3 do que ganhava lá, fazendo as devidas correções monetárias.
Vendo que sua vida não vai muito mais pra frente do que isso, você resolver fazer uma fézinha... quem sabe sua sorte não muda, certo? Errado! Até na loteria federal eles conseguiram meter os dedinho, os dedões, a mão inteira! Cansado de tanto trabalhar, de tanto ser roubado, você sai do serviço e é assaltado. Levam sua carteira vazia, seu vale transporte, seu celular zerado, sua bolsa, sua blusa, seu tênis falsificado (sim, pois pobre não anda com tênis de marca legítimo) e ainda acham ruim de você não ter dinheiro...
No final do ano, em outubro, ainda somos obrigados a escolher um desses ladrões para continuar metendo a mão em nossos bolsos.
E tem gente que ainda tem coragem de defender a obrigatoriedade do voto...

quinta-feira, abril 27, 2006

A arte da catimba

Hoje quero escrever sobre um assunto que muitos conhecem, mas pouquíssimos têm o conhecimento: a CATIMBA. Catimbar nada mais é do que 'enrolar', fazer cera, matar o tempo etc etc etc. Sabe quando você já acabou todo o seu serviço às 16h30, mas tem de sair às 18h, ou então você está sem inspiração para terminar aquele relatório chato?

Nessas horas, não há nada melhor que catimbar. No serviço, na escola, na igreja, enfim, onde você tem que cumprir certo horário e tem um tempo extra. A catimba, no entanto, é uma arte muito perigosa, passível de advertências, suspensões e até demissões.

Pratico esta arte desde meus ávidos tempos de infância, quando na escolinha pré-primária a professora passava aqueles trabalhos chatésimos de educação artística de colagem, recortagem e toda aquela parafernalha creponesca que sujavam as mãos e as roupas. Desde aquela época, em que eu fingia estar cortando papel, mas na verdade eu imaginava estar em um outro mundo, onde eu era a Rainha do País da Tesoura e Cola, eu já era adepta da Catimba, mas ainda não sabia.

Bom, para começar a falar sobre a Catimba, primeiro devo falar sobre uma outra arte: a cara-de-pau. Isso não quer dizer que você tenha que ser um mentiroso compulsivo, mas usar aquele joguinho de cintura e uma boa cara-de-pau ajuda muito. Não adianta querer catimbar se, na hora do 'vamos ver', você se entrega só com um olhar. É importante saber dizer a coisa certa na hora certa e para a pessoa certa. É como aquela propaganda do Estadão, do Hitler: "É possível contar um monte de mentiras falando somente a verdade".

Para que você possa aprender o Bê-a-bá da Catimba, aqui vão 10 importantes dicas para você começar. Não se esqueça da cara-de-pau!

1. Nunca caminhe sem um documento nas mãos. Pessoas com documentos em uma das mãos parecem funcionários ocupadíssimos que se dirigem para reuniões importantes. Pessoas de mãos vazias parecem que estão se dirigindo a cafeteria, com um jornal nas mãos parecem que estão se dirigindo para o banheiro. Sobretudo, leve algum material pra casa, isso causa a falsa impressão de que você trabalha mais horas do que você costuma trabalhar.

2. Use o computador pra parecer ocupado. Quando você usa um computador, parece que você está "trabalhando" para quem observa ocasionalmente. Você pode emitir e receber e-mail pessoal, ficar no bate-papo que ninguém perceberá. Mas tome cuidado: se o seu computador tem mais de um usuário, não deixe 'rastros' como: fotos de garotas/rapazes, piadas, charges etc.

3. Mesa bagunçada. Quando sua mesa está bagunçada parece que você está trabalhando duramente. Construa pilhas enormes de documentos em torno de seu espaço de trabalho. Ao observador, o trabalho do ano passado parece o mesmo que o trabalho de hoje, é o volume que conta. Se você souber que alguém está vindo a sua sala, finja que está procurando algum papel.

4. Nunca responda a seu telefone se você tiver um correio de voz. As pessoas não te ligam para te dar nada além de mais trabalho. Selecione todas suas chamadas através do correio de voz. Se alguém deixar uma mensagem e for pra trabalho, responda durante a hora do almoço quando você sabe que eles não estão lá.

5. Pareça impaciente e irritado. Você deve estar sempre parecendo impaciente e irritado, para dar ao seu chefe a impressão de que você está realmente ocupado.

6. Sempre vá embora depois do horário. Deixe o escritório mais tarde, especialmente se o seu chefe estiver por perto. Sempre passe na frente da sala dele quando estiver indo embora. Emita e-mails importantes bem tarde (por exemplo 21h35, 6h00, etc.) e durante feriados e finais de semana. Caso não queira ou não possa ficar até mais tarde (geralmente, tem-se a faculdade para catimbar também), mude o horário do computador, envie o e-mail, e volte no horário normal.

7. Reclame consigo mesmo. Fale sozinho quando tiver muita gente por perto, dando a impressão de que você está sobre pressão extrema.

8. Estratégia de empilhamento. Empilhar documentos em cima da mesa não é o bastante. Ponha vários livros no chão (os manuais grossos do computador são melhores ainda).

9. Construa um vocabulário. Procure no dicionário palavras difíceis. Construa frases e use-as quando estiver conversando com o seu chefe. Lembre-se: ele não tem que entender o que você diz, desde que o que você diga dê a entender de que você está certo.

10. O MAIS IMPORTANTE! Evite que seu chefe, professor ou instrutor leiam isso.


P.S.: Se você for chefe, principalmente o meu, esqueça tudo isso. Você está na página errada! Dê Alt+ F4 para voltar ao menu de opções...

segunda-feira, março 13, 2006

Uma nova dimensão

Eu fico impressionada com a linguagem que a publicidade coloca para os consumidores na tentativa de venda dos mais diversos produtos e serviços. Não deveria ficar, até mesmo porque publicidade é o meu dia-a-dia, mas não dá pra deixarde notar certos comerciais e seus argumentos de vendas.

Por exemplo, a Colgate lançou um dentifrício que tem partículas de cristais que te levam a UMA NOVA DIMENSÃO DA REFRESCÂNCIA. Puxa! Até parece que eles estão vendendo uma viagem ao desconhecido, a um lugar onde até hoje, nenhum homem ou mulher chegou antes. Eu fico até com medo de usar um creme dental desses... vai que, no meio da minha assepcia bucal eu seja abduzida para um novo espaço sideral; ou então, bolhas de menta comecem a sair da minha cabeça e eu vire a 'mulher-bolha'; ou pior, vai que eu tente subir no vaso sanitário para tentar voar e alcançar a nova dimensão da refrescância e caia batendo a cabeça (não, eu não utilizei a pasta de dentes para escrever este post e não caí no banheiro...)!

Entre um creme dental que me leve a uma nova dimensão e refrescância, outro que me faça correr o risco de ser beijada por um mané qualquer da rua (Close-Up) e a pasta que faz 'Ah!' depois da escovação, acho que eu fico com esta última. É mais segura e garanto que tem a mesma eficiência (mesmo sem os cristais da refrescãncia máxima).

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Detestável Carnaval

Motivos pelos quais ODEIO o carnaval

1- Mal começa o ano e os insuportáveis batuques já são veiculados na TV, os enredos, uns piores que os outros, e o frisson da contagem regressiva pro último feriado antes do ano começar 'de verdade'.

2- Gente suada: se esfregando, se agarrando, tentando te agarrar, espirrando aqueles sprays de espuma horríveis na sua cabeça e onde mais pegar.

3- Bêbados em geral: com um bafo pior que de onça na sua orelha. Tente se livrar de um bêbado e arrumarás um problema.

4- Poluição sonora: carros com 47 auto-falantes, tocando porcarias como o funk e os novos axés falando de bunda, peito, e outras partes íntimas, entrando à força no seu ouvido, sem ser convidado e sem horário previsto para ir embora (mesmo depois que o som pára, o beat insiste em ficar martelando em sua cabeça e você vai ficando 'atoladinho').

5- Poluição visual: na TV, jornal, revistas, ao vivo... Peitos com silicone, bundas com celulite e cérebros derretidos pelo calor da folia.

6- Trânsito: todo mundo sem exceção resolveu pegar a mesma estrada que você.

7- Superlotação: seja praia, cidade pequena, qualquer lugar tem mais gente do que você gostaria, esbarrando em você no supermercado, na rua, na água, na areia, no portão da sua casa... Ai! Credo!

8- Escolas de samba: existe coisa mais imbecil do que uma pessoa em péssimas condições financeitas passar aperto o ano inteiro e pagarem uma pequena fortuna na fantasia? Pode crer que isso acontece. Depois tem gente que reclama que não consegue nada na vida.. tsc, tsc...


Motivo pelo qual AMO o carnaval

1- Eu emendo o feriado e não trabalho. Assim, pelo menos, posso passar mais tempo dormindo, assistindo filmes, lendo livros e qualquer outra coisa que possa elevar meu nível cultural (e não degradar, como faz o Carnaval todos os anos com os brasileiros... festa popular é o car****o!!!!!)

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Fome

Gosto de ler o portal da UOL, principalmente notícias internacionais, para ficar por dentro do que acontece na minha 'casa'. Hoje, uma coisa me intrigou e levou a um pensamento quase filosófico.

Numa sessão, a foto que recebeu o prêmio do concurso "World Press Photo", por retratar uma nigeriana e seu filho faminto no colo. Em outra, as modelos magrelas, quase anoréxicas, americanas na passarela da semana de moda de NY.

Isso me levou a uma reflexão muito séria: enquanto alguns passam fome para sobreviver, outros conseguem sobreviver mesmo passando fome. Aonde, meu Deus, isso vai parar? (Se é que irá parar algum dia...)

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Novelas

Eu assisto novela. Há quem não goste, há quem não se importe, mas há quem abomine novelas.
Eu não ligo, e tenho as que gosto de acompanhar. Hoje em dia, assisto a das seis.

É engraçado falar sobre novelas porque eu não gosto de ver os primeiros capítulos. Acho maçante! Gosto de acompanhar do ponto em que o mocinho ou a mocinha estão se lascando enquanto o vilão está colhendo os frutos de suas constantes maldades. Não há nada mais relaxante que se revoltar com as maldades dos maléficos, seus planos e diabolices para derrubar o herói. E, claro, os últimos capitulos, a parte decisória da novela. Às vezes, nem assisto à novela, mas acompanho a última semana só para saber como ficou a história.

Meu namorado não gosta de novela. Ele odeia, para ser mais exata. Mas ele já foi noveleiro. A última novela que ele assistiu foi 'A viagem', que por sinal vai pasar no Vale a Pena Ver de Novo. Ontem, conversando sobre isso com ele, eu descobri que a novela que ele mais gostava era 'Olho no Olho', na qual uns caras soltavam raios pelo olho. Detestava essa! Coisa mais sem nexo que eu ja vi... Só sei que morri de rir quando ele me disse isso. Logo ele que não pode ver o Fagundes e o Tony Ramos sem fazer um 'elogio'.

Meu pai é um noveleiro de carteirinha. Mas não é qualquer noveleiro não: ele assiste às do SBT, Record, Band e o que mais aparecer. Até Xica da Silva ele estava vendo esses dias (a reprise)... Eu só assisto as novelas da Globo, pois tem uma produçãozinha melhor, apesar de deixarem os roteiros muito a desejar ultimamente.

Às vezes, penso que minha vida é uma novela. Tem a protagonista, que sou eu, os coadjuvantes, que são minha família, amigos, o mocinho pelo qual já me apaixonei, e tem também a antagonista. Mas dessa, eu prefiro não falar muito. E claro, os figurantes, que são as pessoas que passam todo dia nas ruas... É meio besta pensar assim, mas de vez em quando me pego pensando que se minha vida fosse uma novela, eu não ia querer chegar tão cedo ao último capítulo...

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Fazendo nada

Férias. Não tem (ou tem) muito a ver com o título da postagem. Mas eu chego lá. Quando estamos de férias, mais precisamente quando falta um dia para elas, pensamos: "ai, logo logo vou poder dormir até tarde e fazer NADA o dia inteiro." Mas acabamos nos envolvendo com as coisas que não podemos fazer no cotidiano e logo arrumamos uma ocupação para as férias.

Quando elas acabam, é hora do chefe tirar férias. Aí, pensamos: "Oba! Vou poder fazer NADA o dia inteiro." Aí sim é que seu plano de fazer NADA se concretiza.

Eu poderia dizer que fazer NADA é muito bom, divertido, que garante a tranquilidade para o seu dia-a-dia sem o chefe. Poderia, mas não posso. E sabem por quê? Pelo simples fato de que fazer NADA em casa é uma coisa completamente do que fazer NADA no serviço. Pleno mês de janeiro, início de ano ainda não engrenado (só engrena mesmo depois do carnaval), o telefone mal toca. Aí, você tem que esperar a boa-vontade do relógio dar 18h para poder ir embora. E não pode sair por estar cumprindo seu horário... Conclusão: você está preso no tempo e não pode fazer NADA contra isso. A única coisa que você pode fazer é... NADA.

Nesses termos, fazer NADA é algo absolutamente complicado e necessita muita prática e habilidade. Você tem de ter muito assunto, uma TV funcionando bem (ou pelo menos funcionando, que é meu caso), um sofá, acesso à internet banda larga e muita, mas muita criatividade. E claro, paciência. Um saco de paciência. Depois que você cumpriu com todos os seus deveres (o que ocupou apenas metade da sua manhã), você poderá partir para a tarefa mais difícil de fazer NADA.

Eu estou fazendo NADA há mais ou menos 5 horas, e ainda faltam mais três para eu dar conta desta tarefa que parece ser interminável. O pior de tudo é que hoje não estou com sono, o que faz o relógio ainda mais lento e penoso.

Resumindo: fazer NADA, ao contrário do que se pensa, é para corajosos. Pessoas sem medo do relógio. Se você está na mesma situação, recomendo pensar muito antes de entrar nessa tarefa. Caso contrário, recomendo não fazer NADA.